O que querem as empresas de energia elétrica?
Publicado 19/07/2016

Por Gilberto Cervinski
Recentemente, empresários de energia elétrica organizados em 18 associações nacionais estiveram reunidos em um encontro nacional durante dois dias na cidade do Rio de Janeiro.
O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) fez um estudo do documento elaborado pelas empresas, uma agenda propositiva para o setor elétrico brasileiro 2016. A agenda dos empresários foi entregue ao governo golpista de Michel Temer. Numa análise criteriosa, é possível identificar o desejo das empresas privadas do setor. Resumimos em cinco pontos.
A conclusão que chegamos é que as propostas tem um único objetivo: elevar cada vez mais a taxa de lucro. Confira nossa avaliação:
O objetivo é manter o atual modelo elétrico privatizado, controlado pelas transnacionais
O modelo privado transformou a eletricidade em seu principal negócio, com tarifas altas para o povo e preço de custo para os grandes consumidores (livres), gerando lucros extraordinários ao capital. O documento aponta que querem aprofundar ainda mais este modelo, garantindo mais segurança e estabilidade jurídica.
As distribuidoras têm 14% de energia sobrando (sobrecontratação). Mesmo não vendendo, querem que a população pague através de novos aumentos nas contas de luz, para preservar a segurança dos contratos já estabelecidos.
Querem aumentar os preços/tarifas e retirar as políticas públicas de subsídios na energia elétrica
O principal objetivo é aumentar o “preço teto” para leilão de usinas, alegando que precisa incluir “outros custos” (riscos futuros) e “regular por incentivo” e não pelo menor preço do leilão. Isso significa aumento final na conta de luz. Também querem retirar todas as políticas públicas e subsídios que estão nas tarifas, como Luz Para Todos, desconto para baixa renda e subsídios aos agricultores.
Querem facilitar o licenciamento ambiental e retomar a construção de grandes lagos
A proposta é adotar “regime especial de licenciamento ambiental” para obras de interesse público, Licença Prévia Única e não permitir paralisações das obras, além de tentar impedir custos socioambientais. Sugerem criar o “balcão único virtual” de licenciamento. Querem retomar a construção de usinas com grandes lagos de acumulação, maiores do que as que já vêm sendo construídas. O plano vai de encontro com a PEC 65/2012 em tramitação no Senado, que vai destruir o licenciamento ambiental.
Querem mais privatização e menor participação de empresas estatais
Alegam que o intervencionismo de estado afugenta investidores. A proposta de fundo é privatizar tudo e reduzir a participação do Estado. Querem que sejam priorizados os “players”, ou seja, as grandes empresas transnacionais de energia.
Querem priorizar o “pleno desenvolvimento do mercado livre”
A proposta é prioridade e liberdade total para desenvolver o mercado livre de energia. Significa que os grandes consumidores de energia recebam energia a preço de custo e ao mesmo tempo fazer com que a população pague cada vez mais caro. O mercado livre de energia é exatamente o grande problema do modelo elétrico brasileiro, porque privilegia os mais ricos e penaliza o povo que trabalha.
Por fim, é importante salientar que o país possui uma matriz elétrica a base de água, com um dos custos de produção mais baixos do mundo, no entanto a população paga uma das tarifas mais altas do mundo. Porque tamanha contradição? Porque o modelo elétrico é privatizado, controlado pelo capital financeiro que tem como único interesse as taxas de lucro extraordinárias e a especulação financeira.
O povo brasileiro não pode e não deve aceitar esta agenda dos empresários do setor elétrico. O plano é uma agenda para beneficiar os especuladores do setor elétrico, enquanto que o povo brasileiro será novamente castigado com mais aumentos nas contas de luz e retrocessos ambientais e nos direitos. Sem temer, os trabalhadores e o povo brasileiro terão que realizar mudanças profundas no modelo elétrico brasileiro e de imediato derrotar esta agenda parasitária.