Mesa debate impactos da hidrelétrica de Sobradinho
Publicado 19/03/2018
Atividade foi uma das 178 autogestionadas que ocorreram nos dois primeiros dias do Fórum Alternativo Mundial da Água, que acontece em Brasília

Neste domingo (18), ocorreu a mesa temática Diálogos sobre as condições sociais da população atingida: o caso da barragem de Sobradinho, na sala 22 do Pavilhão João Calmont, na Universidade de Brasília (UnB). A atividade, uma das 178 autogestionadas, faz parte da programação do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), que acontece entre os dias 17 e 22 de março em Brasília (DF).
Participaram da mesa João Akira, procurador regional da república e diretor-geral da Escola Superior do Ministério Público da União; Juscelino Bezerra, professor de geografia da UnB; Ana Paula Silva, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); José Josivaldo e Moisés Borges, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
A Usina Hidrelétrica de Sobradinho foi construída pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) há 40 anos no Nordeste, entre os estados da Bahia e Pernambuco, e atingiu 72 mil pessoas (dados oficiais) grande parte não recebeu nenhuma reparação por suas perdas econômicas, sociais e culturais.
O procurador João Akira apresentou os resultados da Comissão Especial Atingidos por Barragens, do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), que analisou por quatro anos [2007-2011] os impactos de sete barragens. Ao final da pesquisa, foram constatados que 16 direitos humanos são violados sistematicamente na construção de barragens no Brasil. Nós temos uma máquina de moer, a sistemática é a mesma em toda construção de hidrelétricas, afirma Akira.
Após a sua explanação, foi a vez de Ana Paula Silva apresentar parte da pesquisa que está sendo realizada há dois anos pelo Ipea. O Instituto está realizando um diagnóstico do passivo social deixado pela hidrelétrica com a população atingida do perímetro impactado pela obra, que se equipara ao estado da Paraíba. Silva chamou a atenção para a dificuldade da pesquisa, já que muitas pessoas não tem nenhum cadastro (bolsa-família, CADE Único, conta de água e luz). Na verdade, apesar de terem sido impactadas por uma obra que gera energia, uma porcentagem significativa não tem acesso à energia.
José Josivaldo, integrante da coordenação nacional do MAB e atingido pela barragem do Castanhão, no Ceará, ressaltou a importância dos dados coletados pelo Ipea. A própria pesquisa apenas ocorreu depois de muita luta, já que o Estado brasileiro sempre se negou à assumir sua dívida histórica com a população atingida. Esses dados serão muito importantes, mas não será uma garantia de reparação, isso virá apenas com muita mobilização, opina.
As atividades do FAMA continuam nesta segunda-feira (19) no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, na Asa Sul de Brasília.