A Arpillera mostra o que preocupa as mulheres em relação à implantação da mineradora SAM na região, como a barragem de rejeitos que poderá ser construída e o uso da água pela mineradora, sendo que esse é um bem que já é escasso na região e a destruição das comunidades tradicionais geraizeiras do território do Vale das Cancelas.
Mulheres atingidas do distrito de Vale das Cancelas, município de Grão Mogol, bacia do rio Jequitinhonha, Minas Gerais.
Cartinha
"No dia 10 de agosto de 2019, nós mulheres atingidas do município de Grão Mogol, nos reunimos no Distrito Vale das Cancelas para confeccionar uma arpillera. Escolhemos o tema Mineradora SAM, que é uma mineradora de capital chinês que tem um projeto monstruoso de mineração de ferro, que pretendem implantar aqui na região de Vale das Cancelas e que nos preocupa muito, pois eles pretendem construir a maior barragem de rejeitos da América Latina e vão acabar com 11 comunidades tradicionais, geraizeiras do território tradicional geraizeiro de Vale das Cancelas. Além disso, pretendem usar 6.200m³ de água por hora para lavar e transportar minério, via mineroduto até o porto de Ilheús na Bahia. Essa quantidade de água eles querem tirar de uma região semiárida, onde os rios estão secos e as comunidades não tem água para produzir alimentos. Estamos indignados com tudo isso."