Atingidos do Extremo Sul da Bahia participam do ato de nove anos do crime na Bacia do Rio Doce, que acontece nesta terça (5) em Mariana (MG)
Publicado 05/11/2024 - Actualizado 31/10/2025

A realidade de municípios baianos como Nova Viçosa, Mucuri, Alcobaça e Caravelas já não é mais a mesma desde o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Estima-se que, em algumas dessas cidades, a atividade pesqueira diminuiu em 50% devido aos danos causados pelos rejeitos do crime da Samarco, Vale e BHP na Bacia do Rio Doce. Maria do Carmo de Jesus Coelho, pescadora há mais de 30 anos, relata a realidade dos trabalhadores “Eu nunca vi acontecer o que eu estou vendo agora, ir para o mar para pescar e pegar os peixes tudo doente”, conta.
Desde 2016, estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) comprovaram a presença de metais pesados como Zinco, Cobre, Fósforo, Arsênio e Bário na biodiversidade do Parque Nacional de Abrolhos. Apesar do Rio Doce desaguar no litoral capixaba, um ciclone extratropical, ocorrido quatro meses após o rompimento, empurrou os rejeitos do crime para o extremo sul baiano. “Não tem como vender o peixe e como fica a situação dos pais e mães de família? Porque a nossa sobrevivência vem do mar. Às vezes o filho pede o pão de cada dia e não tem. Porque como que vai dar sem a pesca. Estamos exigindo nosso direito!” completa Coelho, moradora de Nova Viçosa.



A cadeia produtiva da pesca é uma das principais fontes de renda para a população local. Aproximadamente 18.000 trabalhadores dependem diretamente da pesca na região do extremo sul da Bahia. Dentre eles, um número significativo é composto por mulheres – aproximadamente seis mil trabalhadoras – que participam ativamente das atividades pesqueiras, seja na captura, processamento ou comercialização do pescado. O litoral baiano não foi reconhecido em nenhum programa de reparação pelos danos socioambientais decorrentes do rompimento em Fundão. O território também não está contemplado no Acordo de Repactuação, assinado no último dia 25 de outubro entre governos, mineradoras e instituições de Justiça.
“Até agora ainda não foi reconhecido que a Bahia foi atingida. Os peixes, mariscos, ostras, tartarugas tudo contaminado! Os turistas não vem mais. Está uma escassez no verão, tá muito difícil a sobrevivência aqui”, desabafa a também pescadora Rosália Santos.
Atingidos de diversas regiões do extremo-sul da Bahia e do Espírito Santo – que também teve alguns municípios excluídos do Acordo de Repactuação – estarão presentes na jornada de luta que acontecerá nesta terça (5), em Mariana (MG). O encontro, organizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), conta com atividades em Mariana e também no Bento Rodrigues de origem. Além de marcar os nove anos do crime, os atos também reafirmam a continuidade da luta por justiça e reparação integral a todos os atingidos pelo crime na Bacia do Rio Doce.
Programação
9h – Ato em Bento Rodrigues de origem
9h – Plenária para debater a Repactuação e os direitos dos atingidos – Arena Mariana
14h30 – Marcha pelos direitos dos atingidos – Concentração no Centro de Convenções – Avenida Getúlio Vargas, 110 – Centro de Mariana.
16:30h – Encerramento – Praça Minas Gerais, Centro de Mariana.