Esta arpillera, criada por mulheres de Palmeirais no Piauí em 2025, denuncia os impactos da instalação de grandes placas solares em seus territórios, feita sem consulta e sem respeito às comunidades locais. Nos retalhos aparecem as casas, as árvores e os caminhos, contrastando com os painéis pretos que ocupam a terra e levantam a pergunta central: “Energia para quem?”. No canto, o termômetro bordado simboliza as altas temperaturas que agravam ainda mais a vida das famílias, lembrando que a crise climática tem rosto nos territórios.
Nós mulheres de Palmeiras construímos esta arpillera como registro de nossa história, de nossa luta e de nossa resistência.
Nosso território rico em palmeiras de coco babaçu e vegetação nativa tem sido devastado. Árvores de bacuri caem, Palmeiras somem e a terra que sustenta nossas famílias e nossa cultura é transformada, sem consulta, sem cuidado, sem respeito. Agora enormes placas solares ocupam nossa terra.
Mas a energia que se produz aqui, de quem é? para quem vai? nossa comunidade continua sem respostas, sendo transformado nosso modo de vida.
Esta arpillera é nosso protesto silencioso, mas firme. É memória, denúncia e reflexão. É um chamado para que nossas terras sejam respeitadas e para que a energia que nasce em nosso chão também nos sirva.
Feita pelo grupo de atingidas de Palmeiras, esta arpillera não é apenas artes: é resistência, é cuidado, é vida que insiste em florescer.