Atingidos por barragens protestam na sede de Furnas, no RJ
Publicado 14/03/2012
Cerca de 600 pessoas, militantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) protestam no saguão da sede de Furnas, na manhã desta quarta-feira, 14 de março, Dia internacional de luta contra as barragens, pelos rios, pela água e pela vida. A manifestação faz parte da jornada nacional de lutas do MAB, que acontece em diversas capitais, de 13 a 15 de março.
Com a manifestação na estatal, os atingidos por barragens querem pressionar o Governo federal por mudanças no atual modelo energético e cobrar mais atenção às famílias desalojadas pelos lagos. O Estado brasileiro planeja e coordena toda política energética e financia até 80% das obras com dinheiro público do BNDES. No entanto, não há política de Estado para os atingidos pelas barragens. É uma contradição num país com tantas usinas hidrelétricas como o Brasil, declara Soniamara Maranho, da coordenação nacional do MAB.
Entre as principais reivindicações do Movimento estão a criação de uma política nacional que estabeleça diretrizes e critérios no tratamento dos direitos desta população e um fundo de auxílio cujos recursos seriam usados para reparar as perdas e prejuízos das pessoas afetadas pela construção de barragens, garantindo reassentamento adequado, assistência técnica, créditos e verba de manutenção.
Durante a jornada, o MAB também critica a construção da barragem de Belo Monte e demais barragens na Amazônia, além de reivindicar que o Governo se posicione a favor das renovações das concessões do setor elétrico, que vencem a partir de 2015. De acordo com o Movimento, a renovação das concessões é um caminho que evitará a privatização ainda maior das usinas, linhas de transmissão e distribuidoras de energia elétrica.
A jornada de luta do MAB também quer agregar trabalhadores do setor elétrico, e da população em geral, que paga injustamente pelo alto preço da energia. Estamos construindo pautas unitárias com a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), com a CUT, entre outros movimentos sociais e sindicais que integram a Plataforma Operária e Camponesa da Energia. Nos solidarizamos aos trabalhadores do setor elétrico que, com a onda da privatização do setor elétrico nos anos 90, sofreram perdas nos salários e nas condições de trabalho, acrescenta Soniamara.
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