Nossa paciência tem limite, desabafa camponês atingido por Belo Monte
Publicado 13/11/2013
Famílias atingidas pela barragem de Belo Monte moradoras na área rural de Assurini, que soma aproximadamente 30 mil pessoas, se reuniram ontem (12/11) no Centro de Formação Irmã Dorothy para dar mais um passo na construção de sua pauta.
Esse encontro das famílias que vêm se organizando no MAB ocorreu após diversas reuniões e visitas e contou com a presença de membros de várias comunidades prejudicadas pela hidrelétrica. Grande parte da região é atingida pelo lago e pela área de preservação.
Entre os principais pontos reivindicados pelos atingidos está o reassentamento coletivo e a construção de ponte no Xingu, num trecho de aproximadamente 5 km. Somos escravos da balsa, ela é que impõe o nosso horário. A gente é levado feito porco e seu preço é muito alto. É um absurdo uma região tão importante para Altamira ter que pagar pedágio caro a empresa privada para ir à sede do próprio município, desabafou Geraldinho, um dos moradores. Os atingidos querem também negociação coletiva, pois individualmente a Norte Energia (dona de Belo Monte) está enganando as pessoas. Dona Beatriz, uma senhora sem terra, recebeu proposta da empresa de 1.800 reais.

A empresa vem enrolando as pessoas desde o início de 2011. Foi assinado um Termo de Compromisso entre INCRA e Norte Energia em 2010, que coloca as regras do jogo e é parte integrante do PBA Plano Básico Ambiental da construção da usina, mas esse documento ficou escondido por dois anos e meio.
Apesar de ficar ao lado da barragem de Belo Monte, do outro lado do Xingu, Assurini carece até hoje de políticas públicas básicas como educação, saúde, moradia, transporte. A energia está chegando através do Luz Para Todos, abrangendo em torno de 15% da área, mas as tarifas estão salgadas. Uma veio com o valor de 1.600 reais. Fui à Celpa e lá no sistema nós estamos como convencional e a gente sabe que aqui é baixa renda, disse Horaci. Ele ainda se mostrou indignado com o pagamento de iluminação pública: a funcionária da Celpa me perguntou se aqui não tinha lâmpada na rua, eu falei que aqui não tem nem estrada! Só se a gente pagar pela pelo clarão da lua, brincou.
Foi tirado um próximo encontro para o dia 3 de dezembro. As famílias organizadas no Movimento estão convocando o INCRA, a Norte Energia, o IBAMA, a Celpa, Prefeitura de Altamira e outros para dar explicações sobre esses desmandos. Queremos resolver isso, pois nossa paciência tem limite, disse Val, militante do MAB.