MAB debate privatização da água em São João do Araguaia (PA)
Publicado 23/03/2015
Aconteceu no último dia 21 de março, na câmara de vereadores de São João do Araguaia (PA) uma assembleia com a comunidade local, para debater a problemática da privatização da água no município e na região. Esse serviço já foi privatizado no município e a empresa Odebrecht já está atuando a fim de cobrar por esses serviços. Essa atividade foi realizada em conjunto com o CEPASP (centro de educação, pesquisa, assessoria sindical e popular) e o sindicato dos urbanitários de Marabá. Participaram 90 lideranças da região.
Além dessa problemática, também foi abordada a privatização da água do rio, através do projeto de construção da barragem de Marabá, que está sendo pensada para a região. O município, que possui 13 mil habitantes, vai sofrer diretamente os impactos da barragem, pois toda a sede do município vai ser alagada. Segundo os estudos, 26,26% do município, cerca de 6,8 mil hectares, seriam alagados por essa obra.
“A comunidade local não aceita a construção dessa obra, pois vai afetar a vida da população e os lucros da exploração nessa obra, assim como a energia, não serão para desenvolver a região, pelo contrário, vão trazer mais miséria a toda a região”, afirmou Rogério Hohn, militante do MAB na região.
O MAB também denuncia o poder executivo e legislativo local, por não terem consultado a população sobre a privatização da água no município. Esse processo foi feito na calada da noite e hoje, além de não terem água, ou de péssima qualidade, a empresa já está fazendo o cadastramento para começar a cobrança desse serviço.
A privatização da água na região é uma ofensiva forte do capital. Em Marabá, que possui mais de 220 mil habitantes, essa mesma empresa vem presionando pela privatização do serviço. Em Xinguara, São Domingos do Araguaia e outros municípios da região, o serviço já foi privatizado e a população sente no bolso os preços abusivos, além de sofrerem com a falta de água e péssima qualidade dos serviços prestados. Em Marabá, foi constituído o Fórum Popular em defesa da água pública, com a participação de inúmeras organizações populares, no sentido de não permitir a privatização e exigir da empresa do estado (COSANPA), investimentos para garantir a qualidade dos serviços de saneamento a toda a população.

A barragem de Marabá, se construída, terá uma potência de 2.160 MW, e será construída no Rio Tocantins. Vai atingir diretamente mais de 10 mil famílias dos estados do Pará, Tocantins e Maranhão, alagando mais de 110 mil hectares de terras.
O MAB e demais organizações, denunciam essa privatização e buscam, com o trabalho junto com o povo, não permitir esse avanço do capital sobre esses recursos naturais, além de pressionar para que haja um maior investimento em políticas públicas para a toda a população, para garantir a melhoria da qualidade de vida das mesmas.