Ciranda infantil fortalece Encontro Nacional do MAB
Publicado 04/09/2013
As crianças têm papel importante no Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens que está acontecendo em Cotia, São Paulo, reunindo mais de três mil pessoas de todo o Brasil. São aproximadamente 100 crianças de 17 estados do País, entre zero a 12 anos de idade. Temos uma diversidade cultural muito bonita, muitas crianças correndo, brincando, dividindo, cantando e vivendo novas experiências, explica Daiane Carlos, coordenadora da Ciranda, o espaço dedicado às crianças dentro do encontro.
Daiane enfatiza que durante os quatro dias de Encontro vamos discutir com as crianças a importância da água e da energia, para que aprendam desde pequenas que a energia é um bem público e não é uma mercadoria. A coordenadora também afirma que serão discutidos os valores que o MAB orienta toda a sua militância como o companheirismo, a amizade e a solidariedade, tudo isso em forma de muita brincadeira, de muita diversão e de atividade recreativa.

Suerda Almeida, mãe e militante do MAB Ceará, reforça que para as mães a ciranda é um espaço de fundamental importância porque fortalece a participação dos pais, principalmente das mães. Podemos deixar nossos filhos para participar dos debates e das lutas de forma mais tranquila e ainda ajuda as nossas crianças a conhecer desde pequenos as lutas do povo e ir formando consciência, disse Suerda.
Para Diego Ortiz, que está contribuído no espaço, a ciranda é um lugar onde as crianças podem participar ativamente do Encontro e do MAB, onde eles podem colocar suas perspectivas, suas vontades, se encontrarem e brincar.
Para as crianças a ciranda é uma festa, hoje já brinquei de roda, de pular corda, joguei peteca, ouvi histórias diz Amanda Caroline Paulino, de 7 anos.
Carta das crianças ao Encontro Nacional do MAB fala da importância da infância e seus direitos
O grande espaço das plenárias no Encontro Nacional dos Atingidos por Barragens, que está acontecendo em Cotia, São Paulo, foi das crianças na tarde de quarta-feira, 4. Os adultos receberam uma turminha animada, que entrou cantando: ¨Crianças do MAB a lutar por um projeto energético popular!¨. As crianças apresentaram, junto às mães e educadores que acompanham o grupo na Ciranda, onde os pequenos passam os dias do encontro brincando, se divertindo, pintando e também pensando, dentro de seus pontos de vista da infância, o que querem para um mundo melhor.
E nesta quarta, além de apresentarem desenhos e pinturas produzidos nos primeiros dias do encontro, leram a ¨Carta das Crianças Atingidas por Barragens¨, onde apontam seus direitos, pedem ajuda aos adultos e dizem que estarão sempre por perto.
Leia a carta na íntegra:
São Paulo, 4 de setembro de 2013.
Carta das Crianças Atingidas por Barragens
Nós, crianças atingidas por barragens, participando do Encontro Nacional, vindos do norte, nordeste, centro-oeste, sudeste e sul, deste imenso Brasil, queremos dizer que o encontro também é nosso.
Na Ciranda nestes dias fizemos muitas atividades, muitas brincadeiras e muita diversão. Também discutimos os direitos das crianças atingidas por barragens.
Nesta carta queremos expressar a importância das crianças e de seus direitos:
- Educação de qualidade;
- Na escola tenha merenda e educadores para nos ensinar;
- Alimentação saudável, sem agrotóxicos, com muita fruta, verdura e de vez em quando uns docinhos;
- Ter terra para plantar e casa para morar. Que tenha espaço para a gente brincar do mesmo jeito ou melhor que a gente tinha antes da barragem;
- Precisamos ter parquinhos para a gente se divertir;
- Nossos rios livres e limpos para podermos nadar e brincar muito.
Então pedimos que vocês que são grandes nos ajudem e nos ensinem como garantir esses direitos e outros mais. E podem contar com as crianças atingidas que estaremos por perto e, claro, lá na Ciranda.
A Ciranda é a energia do movimento.
O Encontro Nacional do MAB está acontecendo de 02 a 05 de setembro em Cotia/SP. Estão participando do Encontro aproximadamente 2.500 atingidos e atingidas de 17 estados do Brasil. Alem de movimentos sociais do campo e da cidade e organizações internacionais de 20 países.
Com o lema: Água e Energia com soberania, distribuição riqueza e controle popular, o encontro tem o objetivo denunciar o atual modelo energético que explora os atingidos por barragens e os trabalhadores do setor e avançar no debate da construção de um novo projeto energético popular.
Foto: Douglas Mansur