Atingidas por barragens participam de oficina de Arpillera na Argentina
Publicado 11/11/2013
Um grupo de mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) participou, na última semana, da oficina Arpillera em Buenos Aires, capital argentina. A atividade faz parte do projeto de resgate da técnica de costura e arte, utilizada por mulheres chilenas para denunciar as atrocidades da ditadura militar, pelas atingidas por barragens do Brasil.
O objetivo é realizar diversas oficinas de formação da técnica para que as atingidas por barragens possam contar suas histórias, retratando o processo de violações dos direitos humanos na construção de hidrelétricas no Brasil.
No início da oficina, houve a retomada histórica das Arpilleras e, consequentemente, da luta das mulheres chilenas. Essa é uma técnica antiga que surgiu a partir de uma tradição popular de Isla Negra, no Chile, onde grupos de mulheres se reuniam para produzir peças de bordados como forma de subsistência.
Durante a ditadura, diversos grupos de mulheres se apropriaram das arpilleras e transformaram uma atividade tipicamente familiar em uma arma de comunicação contra a repressão comandada por Augusto Pinochet.
Posteriormente, o grupo seguiu para uma visita à exposição Retazos Testimoniales Arpilleras de Chile y otras latitudes, exibida em um marco importante para a militância latino-americana, o Parque de La Memoria, local onde se recordam os mortos e desaparecidos na luta por justiça e igualdade. Com a facilitação da chilena Roberta Bacic, as atingidas conheceram o contexto histórico de centenas de Arpilleras de todo o mundo.
Como produto final da oficina, as militantes do MAB produziram uma Arpillera que demonstra a violação de direitos das mulheres na construção de hidrelétricas no Brasil. De acordo com Talita Silva, de Minas Gerais, este trabalho servirá para instigar as demais mulheres atingidas para o trabalho pela igualdade de gênero. Vamos fortalecer, em todas as regiões, o protagonismo das mulheres na construção do movimento, afirmou.
Para trabalhar com a arte da Arpillera com as mulheres atingidas por barragens, o MAB, em parceria com a União Europeia, DKA Austria, Horizont 3000 e SEI SO FREI, lançou um programa para diminuir o risco de violações dos Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Políticos, Culturais e Ambientais (DHESCA) e de empobrecimento das comunidades atingidas pelas barragens no Brasil.
A coordenadora MAB, Esther Vital, salientou que o projeto irá beneficiar diretamente 10 mil atingidos das regiões norte, nordeste, sudeste e sul, intensificando as denúncias de violações dos direitos humanos. O projeto estudará áreas específicas atingidas por barragens em quatro regiões do país, com o objetivo de denunciar as violações cometidas e construir uma formação com atingidos e atingidas para que eles possam se tornar defensores e formadores em direitos humanos, explicou.