Brigada formada pelo MTD está apoiando mais de 400 famílias que ficaram desalojadas por conta do alagamento do Rios de Contas
Publicado 13/01/2022 - Actualizado 13/01/2022

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) chegou essa semana em Jequié na Bahia para se somar à brigada de Solidariedade formada para apoiar as famílias que ficaram desalojadas por conta das inundações na região. A Brigada articulada pelo Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos (MTD) agora conta com os esforços do MAB, da ADUSB – Associação dos Docentes da UESB e das agentes de saúde comunitária do município para apoiar as cerca de 400 famílias que tiveram que abandonar as suas casas às pressas na véspera de Natal. O Sindipetro e a Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia (POCAE) também estão se juntando para apoiar a Brigada.
As enchentes causadas pelas chuvas intensas na região foram agravadas pela abertura das comportas da barragem de Pedra gerida pela Chesf e acabaram causando o alagamento de bairros nas partes baixas da cidade. Inicialmente, as pessoas desabrigadas foram recebidas em creches, escolas, igrejas e pontos de apoio e agora tentam voltar às suas casas.

Desde dezembro, a ajuda humanitária oferecida a essas pessoas pela Brigada inclui a distribuição de cestas básicas com alimentos e material de higiene pessoal e limpeza, processo de cadastramento das famílias para compras de novos móveis e apoio na articulação com o poder público. Ontem, 11, houve uma reunião da Brigada para avaliação das ações já realizadas e os próximos encaminhamentos.
De acordo com Léia Nascimento, da direção estadual do MTD, o Movimento está atuando junto às comunidades atingidas desde o dia 26 de dezembro, quando a chuva provocou as primeiras inundações. Para isso, foi realizada a parceria com diferentes organizações como a Consulta Popular, o Sindipetro, a Associação dos Docentes da UESB e entidades filantrópicas para atender as demandas mais imediatas como a doação de mantimentos e colchões. Na sequência, se iniciou um processo organizativo e um debate político sobre as causas e soluções da situação. “A gente, inclusive, provoca a própria população para que eles se tornem sujeitos da luta”, explica a liderança.
Léia explica que, nesse momento, o movimento atua para consolidar a Brigada de Solidariedade juntamente ao MAB para tratar das questões mais complexas. “Nessa fase em que passou a situação mais imediata, os problemas mais estruturais começam a vir à tona: casas com risco de desabamento, famílias que ainda estão desabrigadas, o processo de reconstrução de rotina dessas famílias. Então, a gente passa a ouvir os aspectos detalhados das demandas das pessoas e provocar o poder público para dar respostas mais concretas à situação que é ajudar as pessoas a retomarem suas vidas. Estamos acionando a prefeitura, a defesa civil, vereadores e secretarias, buscando esse diálogo com as representações oficiais municipal e estadual.”
“Hoje, chegamos aos bairros da cidade que foram atingidos pelas enchentes e o cenário é muito triste. Muitas casas estão com entulhos e lixo trazido pela água, outras estão com a estrutura danificada. Nesse momento, o MAB vai organizar a comunidade para reivindicar a reparação dos danos sofridos”, conta Luiz Carvalho, um dos coordenadores do Movimento no estado. Para apoiar a comunidade, o MAB está organizando uma campanha de arrecadação de recursos.
Mesmo diante da emergência, o governo federal tem agido de forma negligente e recusado ajuda para os municípios que sofrem com as inundações no estado, embora o governo da Bahia tenha apoiado o município. Ainda assim, de acordo com Gabrielle Sodré, que também é coordenação do MAB no estado, a pauta de reivindicação é ampla. Por isso o Movimento está articulando uma audiência pública para discutir principais demandas dos atingidos nesse momento.

“Se a água está contaminada, temos que chamar o órgão responsável para ir lá avaliar, se o encanamento quebrou, a Embasa, que é a companhia de saneamento da Bahia, tem que ir lá para reestabelecer o serviço. As famílias têm que receber a isenção de água e luz porque elas ainda estão sendo cobradas, sendo que elas nem estão vivendo em suas casas. Elas têm que ter isenção do IPTU e acessar o recurso do aluguel social. Então, a Prefeitura tem que dar respostas para todas essas questões, entre outras. Eles já estão se articulando, mas é importante que os movimentos sociais e as entidades representativas estejam envolvidas e que as famílias sejam protagonistas desse processo de reparação”, analisa.
Gabrielle também lembra que, apesar de terem a possibilidade de voltar às suas casas, as famílias seguem em situação de alerta por conto do risco de rompimento de barragens na região e novas inundações que podem fazer com que elas percam tudo que elas acumularam ao longo da vida com muito esforço.