Mais de cinco mil pessoas moram no nível abaixo da barragem da mineradora CSN, que armazena quase 50 milhões de metros cúbicos de rejeito de mineração
Publicado 26/02/2022 - Actualizado 26/02/2022

Na quinta-feira, 24, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realizou uma assembleia com autoridades públicas e atingidos da Barragem Casa de Pedra, de propriedade da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em Congonhas (MG). Participaram do encontro representantes da promotoria de justiça e do executivo municipal, além de assessores de vereadores e dos deputados federais Padre João Carlos (PT/MG) e Rogério Correia (PT/MG) e da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT/MG).
Durante o encontro, os atingidos denunciaram o descaso do poder público municipal e da CSN com a insegurança da população que sofre com a falta de informações confiáveis sobre as condições da barragem e com o medo de rompimento durante períodos chuvosos. Com capacidade para armazenar quase 50 milhões de metros cúbicos, a Casa de Pedra é considerada uma das maiores barragens localizadas em áreas urbanas do país.
No começo de janeiro deste ano, houve um vazamento em um dos diques da mina Casa de Pedra e deslizamento de terra na área externa da barragem, o que que provocou paralização da atividade da mineradora e deixou os moradores em estado de alerta.
Segundo os relatos na reunião, muitos atingidos estão abalados emocionalmente e desenvolvendo doenças psíquicas diante dessa situação. Por isso, os moradores esperam uma solução definitiva para o caso das famílias que seguem vivendo na zona de risco do entorno da barragem.
Na mística inicial do encontro, foram exibidos cartazes com os dizeres: “Nem barragem perto de gente nem gente perto de barragem”; “moradia segura direito de todos”; “o bolo cresceu, e agora?”; “Creche Dom Luciano resiste, direito da criança assegurado e creche em local seguro”.
Em sua fala, Eduardo Matozinhos, chefe de gabinete e representante do executivo local, parabenizou o MAB pela assembleia e anunciou a construção de 1000 casas para a realocação dos atingidos, com prioridade para as pessoas em situação de risco.
Ao final da assembleia, o padre Claret Fernandes, da coordenação do MAB reafirmou a importância decisiva de ações de precaução para que não se repitam novos crimes: “não estamos brincando. Há vidas em jogo e faremos tudo para que as autoridades responsáveis pela segurança do povo possam agir pelo princípio da proteção dos moradores”.
O militante lembrou ainda que os gestores públicos não podem transferir sua responsabilidade para a justiça e para as empresas. “As mineradoras geram o problema e precisam assumir o ônus, mas os representantes do executivo eleitos pelo povo são responsáveis pelas políticas públicas capazes de impedir que as empresas sigam colocando a vida dos atingidos em risco”, analisou o coordenador.
A coordenação do MAB ainda reivindicou que a gestão municipal “convoque” a CSN para estar presente em uma reunião com o os moradores em um prazo de até dez dias.
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