Maioria das 280 famílias atingidas pelo rompimento do reservatório da Casan, na capital catarinense, ainda não foi indenizada integralmente
Publicado 12/10/2023 - Actualizado 07/09/2025
Mais de um mês após o rompimento de reservatório da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento – CASAN, nos bairros de Monte Cristo e Sapé, em Florianópolis (SC), a Companhia segue negligenciando direitos básicos da população e escala a truculência que tem adotado na relação com os moradores atingidos.
O rompimento aconteceu no último dia 06 de setembro, atingindo cerca de 700 pessoas que tiveram suas casas e veículos destruídos. Após adotar uma postura autoritária, ao impedir a entrada de famílias atingidas na unidade da Companhia, onde acontecem os atendimentos, a direção da empresa ameaça cobrar das famílias atingidas uma diária de 30,00 no estacionamento para onde foram levadas as carcaças dos veículos destruídos, caso as famílias não retirem as sucatas.
A ameaça é uma forma de intimidação da companhia que coagir os atingidos a aceitarem um acordo totalmente injusto de ressarcimento pelos veículos. No caso das famílias que perderam veículos financiados, por exemplo, a proposta da companhia é pagar uma indenização em quantia inferior ao valor investido pelas famílias. Além disso, famílias que usavam seus veículos para trabalhar seguem sem perspectivas de reaverem seu meio de transporte, porque a Companhia sugere quitar a dívida com o banco e depois transferir o saldo restante à família atingida.
Diante dessa situação, a comissão de moradores apresentou um requerimento sobre a indenização dos veículos perdidos ou danificados e protocolou diversas propostas referentes ao ressarcimento do imposto veicular, do combustível proporcional e outros itens para que se chegassem a um denominador comum no valor indenizatório. Passados mais de 20 dias do protocolo deste documento, porém, a Companhia permanece sem dar nenhuma resposta aos moradores e, em paralelo, está convocando os atingidos individualmente para reapresentar a proposta inicial que causou revolta na comunidade.
É esse o caso da Iara e do Leandro, que trabalharam arduamente para terem um carro próprio e hoje, no 37º dia em que estão sem acesso ao veículo destruído pela enxurrada do dia 06 de setembro, receberam a notícia de que, caso não aceitem a proposta injusta da CASAN e não retirem a carcaça do veículo do estacionamento da empresa, terão que pagar 30 reais por dia pelo estacionamento no seu pátio.
É lamentável a truculência, a desumanidade e o desprezo com que a gestão Edson Moritz, presidente da Casan, está lindando com as famílias atingidas neste momento de angústia.
Aproveitando que a tragédia perdeu espaço na mídia, a companhia dá indícios de que vai deixar as famílias atingidas esquecidas e forçar a judicialização das indenizações, gerando ainda mais angústia nas vítimas deste rompimento anunciado.
Vale lembrar que a maioria das 280 famílias atingidas ainda não foi indenizada integralmente e há inúmeras pendências no ressarcimento dos lucros cessantes e dos bens móveis.
Além disso, a Casan anunciou que atendeu a proposta dos moradores sobre o auxílio financeiro emergencial, porém, na surdina, voltou atrás e excluiu este direito das famílias atingidas que tiveram perdas em seus veículos e estabelecimentos comerciais, ignorando a solicitação da Comissão das Famílias Atingidas.
Frente a este cenário, não há alternativa para as famílias atingidas que não seja a organização e luta pela justa reparação. Convidamos toda a comunidade catarinense a se juntar nessa luta e se solidarizar nesse processo de reivindicação dos direitos, para que a justiça seja feita e as famílias atingidas do Monte Cristo/Sapé possam recomeçar suas vidas com o mínimo de dignidade.



