Esta arpillera mostra a história de uma de tantas mulheres que sofrem pela perda da fonte de renda derivada do não reconhecimento do seu trabalho por parte das empresas construtoras das barragens. Dona Creuzilene, assentada de 57 anos, mãe de 5 filhos, estudou até a 5ª série. Tirava seu sustento da agricultura camponesa, fazendo doce da coleta das frutas, na criação de galinhas, porcos, na produção e venda de farinha. Além, do acompanhamento educacional dos filhos, ainda tinha tempo para os trabalhos domésticos. Com a construção da hidrelétrica de Estreito (MA/TO), sua terra foi alagada. Tudo ficou debaixo d'água: como sua cultura, seu modo de vida, a relação com a água e com a terra. Quando lembra da sua vivência, as lágrimas correm em seu rosto e não consegue nem falar. “Não tem coisa mais triste que ser atingida”. Ela, assim, como as outras mulheres, que confeccionaram esta arpillera foram expulsas das suas terras pela construção da barragem e sem direito a indenização, na cidade sofriam de fome. Diante disse, se juntaram e montaram um acampamento na beira da estrada para reclamar seus direitos.